Justiça mandou excluir, mas post sexista de Eduardo Bolsonaro segue no Twitter

Liminar é descumprida. Até agora, nem Twitter nem Eduardo Bolsonaro excluíram publicação sexista. REUTERS/Joshua Roberts

Ainda continua disponível, no perfil de Eduardo Bolsonaro (PL-RJ) no Twitter, um post em que o deputado federal faz menções sexistas às engenheiras da Acciona, empreiteira responsável pelas obras da linha laranja do Metrô de São Paulo.

No início de fevereiro, as obras foram afetadas por um desmoronamento na Marginal Tietê. Ainda no mês passado, uma decisão judicial ordenou a retirada imediata das publicações.

Na ocasião, a juíza Luciana Biagio Laquimia, da 17ª Vara Cível de São Paulo, ordenou a retirada imediata das publicações de Eduardo Bolsonaro e do empresário Luciano Hang, que também ajudou a propagar o vídeo que viralizou na internet.

Segundo a liminar, a multa pelo descumprimento da medida pelo Twitter acarretaria multa diária de R$ 1 mil; o limite seria R$ 100 mil. Apenas o post de Hang está indisponível.

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Recorde o conteúdo da publicação de Eduardo Bolsonaro

Na publicação sexista, os autores editaram imagens de uma campanha da Acciona em favor da contratação de mulheres para atuar no projeto.

Com o intuito de relacionar a seleção das profissionais ao incidente, eles intercalaram a fala das mulheres às cenas do desmoronamento.

‘Procuro sempre contratar mulheres’, mas por qual motivo? Homem é pior engenheiro? Quando a meritocracia dá espaço para uma ideologia sem comprovação científica o resultado não costuma ser o melhor”. Até o momento, a publicação alcançou 12.500 curtidas e 2.555 retuítes.

No pedido feito à justiça, as engenheiras ressaltam o conteúdo machista, que reforça o preconceito e discriminação.

“Considerando o alto potencial lesivo do vídeo postado no Twitter, que destila conteúdo de estereótipos machistas disfarçado em ‘piadas e brincadeiras’, maneiras conhecidas e ultrapassadas para reforçar preconceito e discriminação, faz com que sua manutenção nas redes sociais gere danos cada vez mais intensos”, diz o pedido das engenheiras.

Na ocasião, entidades vieram a público para repudiar o post de Eduardo Bolsonaro. Entre elas, a iniciativa independente Women on Board (WOB), que reconhece empresas que empregam mulheres nos conselhos administrativos, afirmou que o vídeo é “totalmente misógino e tenta diminuir e inferiorizar” as mulheres.

“O vídeo é mais um conteúdo machista em um mercado amplamente dominado por homens e que impõe inúmeras barreiras para a atuação diversa no setor”, acrescentou.

Após a publicação, a conta de Eduardo Bolsonaro no Twitter chegou a ser bloqueada no Twitter. Horas depois, no entanto, a rede social admitiu que houve um erro e liberou a conta do filho do presidente.

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